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Vivemos um grande exemplo de civilidade e amadurecimento da sociedade. O povo e, até mesmo, o governo de exceção, que se despedia do poder, davam uma demonstração de equilíbrio e concórdia. Afinal, redemocratizava-se o Brasil, sem conflitos e nem revanches. Tudo parecia ir bem, pois, enfim, a justiça social, a distribuição de renda, a reforma agrária, o emprego, o desenvolvimento econômico e, principalmente, a Educação, então seriam priorizados. O governo da “democracia” estaria “salvando a pátria”.
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Acreditamos, naquele momento, que haveria uma retomada do desenvolvimento, calcada na valorização da Educação. Esperava-se que a diferença entre os níveis de progresso do Brasil e dos países ricos fosse diminuída através de investimentos na Educação, priorizando-se o refinanciamento da escola pública, até então manietada pela estrutura legalista da Lei 5.692/71, que, demagogicamente, promovia uma Educação sistemática, pulverizando o ensino e reduzindo-lhe a qualidade. No entanto, constatamos que, embora, houvesse demanda cada vez maior, os recursos para o custeio da atividade educativa restringiam-se aos mesmos patamares, provocando, por um lado, o sucateamento do ensino público e, por outro, o desenvolvimento e a distinção das escolas privadas, o que fez surgir em nosso país dois modelos de Educação para servirem a duas classes sociais distintas. Aos ricos, coube uma Educação financiada, privada, equipada, contextualizada, globalizada, informatizada, que prepara a minoria “suserana” para manter o seu hereditário mercado de trabalho. Aos pobres, coube uma Educação não-financiada, pública, desequipada, ultrapassada, colonizada, rudimentar, apta a preparar gerações “vassalas” para permanecerem servindo como mão-de-obra barata neofeudal. Gostaria de poder escrever sobre a nossa tão almejada “democracia” sem usar aspas. Talvez, tais aspas representem as marcas da injustiça social, ainda como uma “chaga” no Brasil. Retirar as aspas da nossa “democracia” só será possível quando refinanciarmos a nossa escola pública, para que os dois modelos de ensino hoje existentes no país simbioticamente convirjam para uma só Educação, garantindo oportunidades semelhantes às novas gerações, de ricos e pobres, a fim de que as diferenças, as exclusões e as injustiças possam ter fim e a nação brasileira, orgulhosa, possa dizer: valeu lutar por uma Democracia (sem aspas)! Ednaldo
de Carvalho |