ÿþ<html> <head> <title>Jornal 15</title> <meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"> </head> <body bgcolor="#FFFFFF"> <table width="100%" border="0" bordercolor="#E0E0E0" cellpadding="4" cellspacing="10"> <tr> <td height="449" width="50%" valign="top"> <table width="22%"> <tr> <td><img src="RonaLIT.JPG" width="100" height="150"></td> </tr> </table> <p><font color="#CC9966"><b><font size="4">Apenas uma história...</font></b> </font></p> <p><font color="#000000" size="2">Rona Hanning</font></p> <p align="justify"> <font face="Arial, Helvetica, sans-serif"><b><font color="#CC9966" size="+7">N</font></b></font><font size="2">o curso de Literatura Infantil que dei hoje, o assunto foi Literatura de Imagem - um tipo de texto habitualmente esquecido pelos professores. A minha proposta foi a de, após a leitura de diversas imagens, discutir o que cada uma provocou, o que foi sentido com base nelas, quais as analogias surgidas. </font></p> <p align="justify"><font size="2">A discussão ia muito bem, cada professor colocando a sua interpretação, falando sobre a sua leitura. Mas, enquanto lia Cântico dos Cânticos de Angela Lago, uma participante comentou:  Este é muito difícil, não consegui entender. Eu acrescentei que era preciso que se detivesse mais, que continuasse folheando o livro. Então, depois de algum tempo, ela disse: é como um labirinto, só entendi que existem duas pessoas - um homem e uma mulher - que buscam se encontrar e, quando se encontram, por um minuto, logo se separam. </font></p> <p align="justify"><font size="2">Pergunto se esta pessoa, que há pouco havia dito que não tinha entendido nada, não realizou sua leitura diante daquelas imagens. Se, ao buscar compreendê-las, não interpretou o que via, dando um significado próprio ao texto. Niterói-RJ. </font></p> </td> <td height="449" width="50%" valign="top"> <p align="justify"><font size="2">Como afirma Fayga Ostrower,  O ser humano é por natureza, um ser criativo. No ato de perceber, ele tenta interpretar e, nesse interpretar, já começa a criar. Não existe um momento de compreensão que não seja ao mesmo tempo criação. </font></p> <p align="justify"><font size="2">Parece-me necessário e urgente despertar a sensibilidade de cada sujeito, acordar essa capacidade criativa do humano, que anda adormecida e desacreditada. Fundamental, também, resgatá-la no professor, este grande co-responsável pelo exercício desta potencialidade. Afinal, a sala de aula é uma possibilidade de mudança quanto ao sombrio quadro de automatização e padronização a que estamos acostumados. Mudar no sentido de sermos capazes de acreditar em nossa potencialidade criadora e, conseqüentemente, podermos lutar por nossa manifestação de expressão mais pessoal. </font></p> <p align="justify"><font size="2">Acredito que o trabalho com a Literatura, e também com a Literatura de Imagem, possa ser um caminho de mudança no sentido de despertar e fortalecer a sensibilidade, desde que, ao lidar com a arte literária, todos - professores e alunos - não a vejam como instrumento de ensino-aprendizagem, e sim como material provocador de curiosidade, encanto e prazer. </font></p> <p align="justify"><font size="2">A Literatura então, deve nos provocar reflexão, em vez de nos responder questões. Na busca que fazemos, a começar por nossas leituras, é que poderemos encontrar as nossas respostas; nunca prontas; sempre à espera de serem descobertas. Esta é, também, a dimensão de sua magia!</font></p> <p align="justify"><font size="2">OSTROWER, Fayga. A construção do olhar, In: O Olhar, Companhia das Letras, 7ªedição,1999.</font></p> <p align="justify"><font size="2">Rona Hanning - Mestre em Educação na área de Literatura Infantil, pela PUC/RJ, e criadora do Espaço de Formação Docente, em </font></p> <p align="justify"><font size="2"><a href="../../Capa.htm">&Iacute;ndice edi&ccedil;&atilde;o 15</a></font></p> </td> </tr> </table> </body> </html>