Anísio Teixeira nasceu em 1900, em Caetité, na Bahia, praticamente junto com o século XX. Tornou-se, no transcorrer das sete décadas que viveu, personagem histórico singular, expressão brasileira do ímpeto de reorganizar o mundo e fazê-lo transitar da barbárie para a civilização, do obscurantismo para a luminosidade.

Anísio é, habitualmente, relacionado ao movimento da Escola Nova, à influência do educador norte-americano John Dewey, à defesa da escola pública, à criação de instituições de pesquisa e a projetos educacionais ousados, abreviados por conjunturas políticas desfavoráveis. Todavia, ainda que corretas, essas considerações não definem Anísio por completo.

Em 1930, quando foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública, Anísio publicou o artigo "Por Que a Escola Nova", que resumiu suas reflexões sobre temas predominantes na vanguarda da Educação. Eis algumas:

· progresso: "Tudo está a mudar e a se transformar. Não há alvo fixo. A experimentação científica é um método de progresso literalmente ilimitado".

· tendências da época: nova atitude espiritual ("segurança, otimismo e coragem diante da vida"), industrialismo ("com nova visão do homem, também filho da Ciência e de sua aplicação à vida") e democracia ("cada indivíduo conta como uma pessoa").

· unidade planetária: "A indústria está integrando o mundo inteiro em um todo interdependente. A idéia e o pensamento, hoje, são propriedades comuns de todo o homem. O vapor, o trem, o automóvel e o aeroplano, como o telégrafo, o telefone e o rádio, põem todo o mundo em comunicação material e espiritual".

· Escola Nova "Uma escola de vida e experiência, para que sejam possíveis as verdadeiras condições do ato de aprender; uma escola onde os alunos são ativos"

 

· o que a escola deve ensinar: "A nova escola precisa dar à criança não somente um mundo de informações (...), como ainda lhe cabe o dever de aparelhá-la para ter uma atitude crítica de inteligência".

· autonomia: "Não basta que os alunos sejam ativos. É necessário que eles escolham as suas atividades".

· liberdade: "O mestre deve confiar no aluno. Perca ele para sempre a idéia de que lhe cabe qualquer soberania sobre o pensamento do seu discípulo. Dê-lhe oportunidade para pensar e julgar por si".

Tratar de Anísio Teixeira significa deixar-se levar pelo ritmo das metáforas, que ele tão bem manuseava, acelerar o tempo, ir além das próprias raízes, defender uma cultura pública, refazer a civilização pela escola primária, pública e laica.

No dia 11 de março de 1971, Anísio morreu, no Rio de Janeiro, em circunstâncias misteriosas. Havia sido indicado para Academia Brasileira de Letras e saiu de casa para visitar o filólogo e dicionarista Aurélio Buarque de Holanda. Seu corpo foi encontrado no poço do elevador do prédio de Aurélio, caracterizando um acidente.

Neste ano, comemoramos o centenário do nascimento de Anísio Teixeira, figura de maior expressão na Educação do Brasil. Sua memória, entretanto, deve ser cultivada, também, pelas novas gerações. Faz parte da nossa história. Todos os que se interessam pela evolução do ensino em nosso país devem conhecer suas idéias e ações, sua contribuição para a Educação.

Fonte: www.revistaconecta.com.br
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