Nova Geração Interage com o Mundo dos Livros

Desde Gutemberg, fazer livros parece ter se tornado mais fácil, mas a tarefa não é tão simples. Para aproximar os alunos do universo das publicações, promovendo o estímulo à escrita e à leitura, o Colégio Alfa Recreio, no Rio de Janeiro, criou a Feira do Livro, que, este ano, teve sua segunda edição nos dias 5 e 6 de abril.

Na Feira, as turmas de 5.ª a 8.ª séries exibiram seus livros, editados a partir de temas que foram propostos às turmas pelos professores, enquanto os alunos do Ensino Médio, do primeiro ao terceiro ano, mostraram um informativo produzido, conjuntamente, pelas três turmas. Palestras, murais e outras atividades foram também inseridas no encontro. “Começamos, timidamente, no ano passado, mas a coisa cresceu tanto que este ano ganhou a adesão de todo o turno da manhã do Colégio”, conta Soraya Bittar, coordenadora do Ensino Fundamental.

Divididos por turmas, os temas foram: História da minha vida (5.ª série), Uma aventura inesquecível (6.ª série), Sou da Geração Coca-Cola (7.ª série), e Confissões de adolescente ou Confusões de adolescente (8.ª série). Cada aluno foi convidado a desenvolver o assunto – os estudantes das 5.ª e 6.ª séries produziram livros individuais e os das 7.ª e 8.ª séries reuniram a produção de todos em encadernações únicas para cada turma. O material, de livre criação, foi passado para o computador e gerado em impressoras, ganhando acabamento em espiral, em seguida.

“Na verdade, esta é uma pequena demonstração do que seria a elaboração de um livro, não só pela forma artesanal de sua confecção, mas também pelo seu conteúdo, uma vez que não foram desenvolvidas histórias com começo, meio e fim. No entanto, o importante é o processo de criação. Além disso, todos nós estamos aprendendo como é complicado fazer a revisão dos livros”, conta Soraya Bittar, que garante, ainda, mais uma impressão das publicações dos alunos. Claudia Silva, diretora da Alfa Recreio, planeja até o final do ano a encadernação tradicional de todo o material. “Estamos felizes. Os estudantes perceberam que são capazes de publicar. Em uma era tão tecnológica, este contato é muito importante”, diz.

“Eu nunca me interessei muito por redação e livros, mas depois disso vi que é bem legal”, conta, orgulhoso, Allan Gobbo, de 12 anos, aluno da 6.ª série. “Mas ainda acho que não tenho muita imaginação...”, completa o menino. A falta de imaginação de Allan rendeu o livro de suspense intitulado O Enigma da Casa, em que a história toda foi criada pelo aluno. Um assombro.

As amigas Natálie Ney Pereira, de 13 anos, e Karine de Paula Garcia Silva, de 14 anos, da Turma 802, resolveram inovar e não “publicar” em um mesmo livro que a turma. Fizeram um livro só das duas. Natálie conta o porquê: “Todo mundo ia fazer igual. Queríamos ser mais críticas, porém não muito sérias, e mostrar, de fato, a cabeça de muitos adolescentes”, diz. Sob o tema Confissões de adolescente, as duas foram a campo para colher depoimentos de vários jovens.

E por aí foi: Enquanto Karina Almeida, 11 anos, da 5.ª série, escolheu contar a história de sua vida a partir dos aniversários, reunindo fotos dos eventos com textos-legendas, Felipe Nunes, também com 11 anos, da 6.ª série, resolveu ilustrar a sua “aventura inesquecível”. Já Aurélio Cobra Guimarães, 12 anos, da 7.ª série, acabou escrevendo a apresentação do livro da Turma 701.

“E eu que só lia gibi... Nos esforçamos muito, mas valeu. Somos bagunceiros, mas responsáveis”, brinca, ladeado por Stephany Souza de Cristo, 13 anos, colega de turma que foi a capista do livro da 7.ª série, doando todo seu talento natural para o desenho.

 


Interdisciplinaridade

Stephany foi auxiliada pelo Professor Sérgio Barros, de Educação Artística, que ganhou voluntários para a criação dos murais e das telas cenográficas que compuseram a Feira. Ao lado das coordenadoras das turmas e da coordenadora-geral Rosali Gall, os professores de Língua Portuguesa, Educação Artística e História também participaram da jornada com os alunos, auxiliando-os em momentos de dúvida quanto à redação e à programação visual, por exemplo.

“A idéia era trabalhar de forma interdisciplinar”, conta a professora Aparecida Chaves da Costa, coordenadora das turmas do Ensino Médio. O desenvolvimento do informativo, batizado pelos alunos de Alfaneco, foi tão bem-sucedido, que agora ele passará a ser mensal. “Infelizmente, tivemos de cortar vários textos muito bons”, afirma a coordenadora. A experiência com o informativo incentivou Pedro Paulo Vasconcellos Nolasco, 18 anos, aluno do terceiro ano, a publicar seu primeiro livro de poesias. Pedro, que vai prestar Vestibular este ano para Educação Física, resolveu, após a experiência, reunir os poemas que escreve desde pequeno e publicá-los.

Já as amigas Camile, Monika e Rebeca, de 16 anos, e Ana Carolina, de 18 anos, do segundo ano, realizaram o desejo de editar textos de moda para o Alfaneco. Como uma verdadeira equipe de repórteres, selecionaram as pautas e assinaram quase metade de uma das faces da publicação. “Queremos ser jornalistas”, disseram em coro, satisfeitas com a breve incursão no mundo das publicações.

Também participaram da II Feira do Livro o escritor Júlio Emílio Braz, o professor de Português e Redação Ozanir Roberti, o contador de histórias Álvaro Assad e o Coral da Petrobras. Ozanir, com 32 anos de Magistério, acredita que está ocorrendo uma revalorização da escrita e da leitura. Ele realiza, em média, três palestras por mês sobre Redação, em escolas e universidades. “Mas precisamos voltar ao início, como uma reaprendizagem. Os alunos aprendem que escrever exige responsabilidade”, enfatiza. Para Júlio Emílio Braz, escritor há 21 anos e autor de 14 livros no Brasil e quatro no exterior, normalmente adotados como paradidáticos, a desmistificação do trabalho do escritor contribui para a aproximação do universo literário. “Na minha época, só conhecíamos dois tipos de autores: os bem mortos e os bem distantes”, brinca. Ele acredita que conhecer o escritor proporciona ao estudante curiosidade para que, a partir deste contato, ele prossiga lendo. E, para o escritor, livro e informática não são conflitantes, são apenas diferentes. E, depois, o ser humano jamais deixará de ler”, afirma.

Colégio Alfa Recreio
Telefones: 490-1989 / 490-5449

 

O livro na ordem do dia