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Da Aula, Toda a Turma Participa!
Por Katia Machado Você já tentou jogar vôlei com a rede na altura da de um jogo de tênis e uma bola bem maior, que pode cair até três vezes no chão? Parece estranho, mas esta foi a melhor maneira que o professor de Educação Física Wilson Sousa Costa encontrou para que qualquer aluno pudesse participar de suas aulas, até mesmo os obesos, os menos habilidosos, os que não podem fazer ginástica tradicional ou não gostam de jogos como futebol, vôlei ou basquete. E todos interagem no planejamento das atividades. Para não ouvir mais frases do tipo “esse perna-de-pau no meu time, eu não quero”, “fulano não joga direito”, Wilson resolveu modificar regras de jogos e criar outras, fazendo os alunos compreenderem a prática dos jogos. Para ele, Educação Física significa participação e, por isto, não age diferente com os alunos da escola Oga Mitá, onde leciona para maternal, 1º grau e alunos de cursos de formação de professores, magistério e pós-graduação. O primeiro passo de Wilson foi colocar em prática suas idéias com as crianças menores, já que concluiu estudos em Psicomotricidade, Neuropsicologia e Psicanálise relacionados ao desenvolvimento da criança. Com base na percepção e no movimento da criança, Wilson vai organizando o ambiente de trabalho, os materiais disponíveis, as regras sociais que nvolvem os pequeninos e as relações deles com as pessoas. Com jogos simbólicos do tipo faz-de-conta, Wilson dá vida a personagens de histórias, filmes, livros e desenhos infantis e analisa as funções de pais, avós e familiares, permitindo que a criança traga seu próprio mundo para a sala de aula. “Nas brincadeiras, ela se torna motorista, enfermeira ou médica e imita todos os gestos da pessoa que tem como referência. A criança ainda faz da sua cadeira um automóvel e da vassoura, uma espada”, diz Wilson, que usa o faz-de-conta como um instrumento para incentivar a criatividade da criança. Wilson já criou diversas atividades
para os menores. Uma delas foi construir uma espécie de teia de aranha
com cordas e barbantes de elástico. E para, desenvolver os movimentos
do corpo e inserir algumas regras, ele inventou brincadeiras nas quais
as crianças sobem em árvores pequenas, com cordas e colchões, amortizando
qualquer queda. Ou ainda, jogos simples como o pega-pega e o esconde-esconde.
Daí a aula se torna uma grande oficina em que são estimuladas a habilidade
e a movimentação das crianças.
Observando as necessidades de cada um e do grupo, seus gestos, sua força e seus movimentos, Wilson cria novos jogos, reinventa regras e traz para a escola brincadeiras tradicionais das ruas, como bola de gude e pião. Um exemplo é o pingo- |
vôlei, que surgiu da dificuldade que algumas crianças tinham para jogar vôlei. Com a rede na altura da do jogo de tênis e uma bola com dimensões maiores que pode quicar no chão até três vezes, o jogo possibilita maior movimentação e facilita a passagem da bola para o outro campo. “Aos poucos, a altura da rede vai aumentando, a bola diminuindo e as regras vão sendo enxugadas, para se chegar, então, ao vôlei”, complementa Wilson. O professor ainda criou o lençolbol, vôlei jogado com um lençol e uma bola grande; o basquete com a cesta posicionada embaixo; o queimado com duas bolas; o pique-bandeira com 4 bandeiras, e outros piques com regras adaptadas às necessidades dos alunos. Mas o professor não deixa de lado os jogos desportivos com regras convencionais. Wilson apenas tem uma visão diferente quando utiliza jogos como o futebol em suas aulas. “Os jogos desportivos têm grande influência sobre as crianças, até porque estão na mídia o tempo todo. Por isto, procuro, com os alunos, construir uma noção crítica, criando espaços que eles possam freqüentar e promovendo sua participação”, diz ele. Com estes pensamentos, Wilson abandona a idéia de competição na qual alguém tem que ser o melhor e estimula a cooperação de competências entre os alunos e a unicidade do grupo. “Meu objetivo é que os alunos entendam o jogo como uma cooperação mútua”, completa Wilson. Sendo assim, atentamos para o posicionamento de cada um, marcação e táticas, organização e a movimentação do outro. Segundo Wilson, tudo se faz em função do outro. As aulas do professor são recheadas de novidades e não é à toa que seus alunos não gostam de perder uma sequer. “Os jogos e as brincadeiras que o Wilson traz são muito divertidas, fáceis e ficam até mais disputadas quando ele muda algumas regras”, diz Henrique Cossich Coelho, de 10 anos, aluno da 4ª série. Tudo, no entanto, é fruto de observação e trabalho sério. E, visa a uma educação corporal em que a emoção é sempre preservada, ao passo em que são promovidos a cultura e o potencial de ilusão das pessoas. Afinal, “ jogos e atividades físicas em geral abrangem estética, ética, relações sociais, e permitem a formação de laços fraternos”, explica Wilson. Ninguém
Fica de Fora
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