| Educação,
Tarefa Solidária
Carlos Alberto Rodrigues
Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus
Desde tempos mais remotos até os dias atuais, a Educação
esteve presente em conferências, debates, projetos e desgastantes greves.
Em muitos casos, as investidas obtiveram sucesso. Em outros, deixaram
apenas explicitado que, para se ter uma Educação de qualidade seria necessária
uma política de maior engajamento e comprometimento, trazendo à tona não
só a questão da baixa qualidade do ensino como as várias tentativas frustradas
das autoridades e até mesmo de profissionais da área para resolverem o
assunto.
Muitos estudos são feitos, no país, na tentativa de mudar o modo como
a Educação vem sendo vista pela escola, pela sociedade e pelo Governo.
Porém, o que se observa é uma grande distância entre o que se faz e o
que deveria ser feito.
Nas escolas públicas, por exemplo, as salas de aula têm um número muito
grande de alunos, falta material didático, não há bibliotecas, não há
pessoal capacitado para exercer as funções devidas, o salário pago aos
professores é vergonhoso para eles e para o Estado. Estes fatos comprovam
o descaso das autoridades competentes em relação à Educação. E outros
poderiam ser citados. No entanto, de nada adiantaria, uma vez que se fazem
necessárias atitudes capazes de reverter todo o processo educacional brasileiro.
Não apenas aprovando leis será possível resolver a situação.
A Educação deve ser vista como tarefa solidária e vivenciada na prática
concreta da libertação e construção de História. Por isto, todos devem
ser solidários nesta tarefa, caminho único para a construção de uma sociedade
na qual não existirão mais exploradores e explorados, dominantes impondo
sua palavra opressora a dominados.
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As estatísticas referentes à área de Educação nos mostram que uma grande
parcela da população infantil de 7 a 14 anos não está na escola, apesar
do objetivo do Ministério da Educação ser o de, até o ano 2003, pôr na
escola 95% das crianças. Nota-se que o mesmo problema pode ser estendido
tanto ao ensino fundamental quanto ao ensino médio, mudando-se apenas
os números.
Fato curioso, considerando toda situação relatada, é sabermos que FHC
exerceu o cargo de professor durante muito tempo e, apesar de conhecer
as necessidades básicas de seu povo, restringiu-se a muito pouco do que
se propunha.
Personagem coadjuvante no processo de ensino-aprendizagem, o professor
não encontra, no governo, respaldo às suas revindicações, nem mesmo há
incentivo para a criação de cursos que possam atualizá-lo, uma vez que
as universidades estão sendo sucateadas e as verbas destinadas à pesquisa
são cada vez mais irrisórias.
Não se pode esquecer que para esta nação competir com países desenvolvidos
e participar da economia global, a Educação não pode estar muito distante
de uma realidade que seja eficaz, como hoje acontece. Não adianta usar
palavras vazias, que não encontrem retorno. É preciso contar com honestidade,
sabedoria, verbas e pleno conhecimento das necessidades do País em termos
de Educação.
Índices
edição 07
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