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História Através da Arte

Por Andreia Brilhante

Nas aulas do professor Dirceu Pacheco, que leciona para o ensino médio, no Colégio Pedro II, em São Cristóvão, História se aprende através de uma viagem ao mundo das linguagens da arte. Trabalhando com o lúdico e muita criatividade, o aluno vai construindo o seu conhecimento histórico. Na sala, pode não haver poetas, mas até literatura de cordel a garotada aprende a fazer.
Dirceu indica leituras sobre o assunto tratado, para que a turma tenha noção da linguagem que será utilizada. Depois, são formados grupos que irão desenvolver os temas propostos, como, por exemplo, a criação das leis trabalhistas no governo Vargas. Os alunos usam várias fontes de pesquisa e, com base na interpretação que dão aos fatos históricos, produzem livros de poemas, com versos simétricos e rima, brincando através do jogo de palavras e mantendo o jeito de falar nordestino, como ocorre na literatura de cordel. O trabalho é feito em papel jornal. Todos têm liberdade para enaltecer ou fazer duras críticas aos momentos ou às personalidades da História, contanto que abordem os conteúdos estabelecidos no roteiro e tenham bons argumentos.
Com o título “Dos Coronéis a Mídia”, um dos poemas produzidos por uma turma de oitava série foi escrito no ano em que se comemoravam os cem anos da primeira eleição direta para presidente da República no Brasil. “Através das ondas do rádio, revista ou televisão/Os poderosos fazem a cabeça da maioria da população/Que acaba quase sempre elegendo/O representante da elite e o deles não”, diz uma das estrofes. Depois, houve tarde de autógrafos durante a feira nordestina montada na escola. Vários professores e colegas de outras séries foram convidados para prestigiar os “cordelistas”.
Os trabalhos propostos pelo professor Dirceu costumam ser repletos de ilustrações. Numa aula de “Culinária Histórica”, ele perguntou à turma quem sabia fazer um bolo e quais eram os ingredientes. Algumas meninas levantaram as mãos e citaram receitas. Mas o objetivo era construir o bolo do Renascimento. E assim a garotada o fez. Desenhado e pintado, ele ficou colorido e apetitoso. Só que os ingredientes eram alguns aspectos desse período histórico tão importante: a relação do rei com a burguesia, o avanço científico e outros elementos. “A minha proposta é o professor interferir, não como responsável por doar conhecimento, mas, sim, por fazer com que a criança chegue, com mais facilidade, a ele. Geralmente, as escolas querem uma resposta única para todos os alunos e não percebem que as pessoas têm a sua própria história de vida”, afirma Dirceu Castilho.
Entre os trabalhos desenvolvidos pelas turmas de Dirceu também estão o jogo das formas, uma atividade rica em cores e idéias proposta nas aulas sobre cultura. Os alunos também fazem histórias em quadrinhos. Um exemplo foram as revistas sobre feudalismo produzidas, no ano passado, por uma turma de primeira série do ensino fundamental da Unidade II PedroII, em São Cristóvão, para alunos de quinta série lerem.

Índices Edição 07
O método de ensino de Dirceu visa a desenvolver o espírito crítico do estudante, levando-o a fazer a sua própria interpretação da História. O pensamento não é uniformizado e o professor não se coloca como um propagador da “verdade”, mas de idéias altamente questionáveis. A imaginação da criança e a do adolescente são estimuladas, como demonstra um trabalho de uma das turmas de Dirceu sobre a escravidão. “Nos séculos XVI e XVII, os escravos vieram trabalhar na lavoura de açúcar e caíram numa tremenda arapuca”/ Eles apanharam demais tanto quanto uns animais”, diz o texto, acompanhado por belas ilustrações.
A prova do professor Dirceu também não é tradicional. Em uma delas, entre as questões estava a que apresentava um conjunto de conceitos históricos como Pacto-Colonial, pau-brasil e Portugal, cabendo ao aluno construir a prova. Cada um escolhia os elementos com os quais preferia trabalhar e elaborava questões sobre o assunto. “Com esta prova alternativa, é possível avaliar o estudante. Já com a tradicional, não. Ela apenas mede. Mas cada um aprende de sua maneira. O professor só conseguirá avaliar quando ele estiver interessado em identificar, através da prova, o que o aluno aprendeu de tudo o que foi discutido em sala, sem que, necessariamente, seja aquilo que deseja que o estudante saiba”, diz.
Segundo Dirceu, com esta prova em que a pessoa escolhe os conceitos com os quais quer trabalhar, é possível avaliar o que foi assimilado e o que precisa ser reforçado. Ele conta que conseguiu acabar com a tensão da prova comum. No ensino fundamental, as provas tinham muita ilustração e, às vezes, eram uma espécie de quebra-cabeça em que a criança juntava os desenhos aos conceitos.
O professor Dirceu Pacheco não tem dúvidas de que conseguiu, em suas turmas, tornar as aulas de História agradáveis e as provas um desafio sem o pavor comum às tradicionais. Para ele, o melhor investimento em Educação é reinventar o cotidiano a cada dia.

Procedimentos
Índices edição 07

Professor Dirceu Castilho
Tel.: 9913-3019
e-mail: dcastilho@uol.com.br