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Dislexia

Dislexia é um distúrbio específico da linguagem caracterizado pela dificuldade em decodificar palavras simples. Mostra uma insuficiência do processo fonoaudiológico e inclui-se freqüentemente entre os problemas de leitura e aquisição da capacidade de escrever e soletrar”. Esta é uma definição sintética elaborada pela Associação Brasileira de Dislexia, sediada em São Paulo. Mas Thereza Cristina dos Santos Lopes, fonoaudióloga e ortoptista, usa as próprias palavras para explicar melhor: “dislexia é formada por dis - alteração - e lexia - referente a letras, leitura. Logo, é basicamente uma alteração de leitura”.

Para Thereza, no entanto, a fim de diagnosticar e tratar a dislexia, o fonoaudiólogo necessita quase sempre da ajuda de uma equipe multidisciplinar, formada por neurologista, psicólogo, pedagogo, psicopedagogo e psicomotricista, para ter um diagnóstico diferencial.

“A equipe tem a função de eliminar causas diversas das trocas de letras e outras alterações de linguagem. Hoje em dia, muitas crianças são chamadas de disléxicas porque apresentam alguma alteração na linguagem e na escrita. Não pode ser assim” - diz ela.

Thereza Cristina explica que uma criança disléxica tem muita dificuldade em decodificar certas letras, por exemplo, mas que isso não é um problema de déficit cognitivo. “Pelo contrário, a criança disléxica apresenta QI compatível com sua idade”, afirma.

A origem da dislexia, segundo ela, está no eixo corporal, na base psicomotora: “Isto é anterior à escrita. Para aprender a ler, a criança precisa ter consciência de seu eixo corporal, lado direito, lado esquerdo, etc. O disléxico não tem essa noção, vai eternamente confundir direita e esquerda”- explica.

Essa falta de noção de eixo corporal não tem, segundo Thereza, nada a ver com o fato de alguém ser destro ou canhoto. Os canhotos se adaptam perfeitamente ao mundo, mesmo tendo que conviver com ferramentas, objetos e mobiliário construídos para destros, e não têm problemas em decodificar os códigos de leitura. Esta disfunção de percepção hemisférica e falta de relação espacial é característica do disléxico, seja destro ou canhoto.

  E como a disfunção se revela? “O diagnóstico é muito semelhante ao do de outros distúrbios de aprendizagem. Por isto, é preciso muito cuidado para não rotular toda e qualquer alteração de leitura como dislexia. A dislexia tem sempre como causa primária a relação espacial, que vai fazer com que a criança não consiga decifrar satisfatoriamente os códigos da escrita.

 

Depois que se chega a um diagnóstico, o tratamento consiste em trabalhar com a criança para que ela se adapte à sua condição. O exemplo do canhoto é pertinente, neste caso: o canhoto não deixa de ser canhoto, mas simplesmente se adapta às ciscunstâncias. Da mesma forma, o disléxico clássico não deixa de ser disléxico. Vai confundir direita e esquerda toda vida mas consegue se adaptar às circunstâncias. Daí a necessidade de trabalhar com uma equipe multiprofissional. O início do tratamento é justamente o trabalho psicomotor, envolvendo relação espacial. Só depois, há intervenção na decodificação da escrita propriamente dita. “O mais difícil, mesmo, é chegar ao diagnóstico. Até a criança chegar a nós e identificarmos a dislexia, muitas vezes a criança já terá repetido CA, primeira série... E como não há sintomas orgânicos que sinalizem o problema, a criança acaba ouvindo coisas como ‘não adianta, você não aprende mesmo’”, lamenta Thereza.

Recadinho para os Professores

- Reparar bem que tipo de dificuldade de leitura a criança apresenta, e se esta dificuldade vem acompanhada de falta de percepção do eixo corporal.

- Os professores de Educação Física têm mais instrumentos para avaliar o desenvolvimento motor das crianças, em suas atividades, e suas informações sobre a relação e percepção espacial de seus alunos são muito importantes para os outros professores.

Brincadeira para Integrar os Hemisférios Cerebrais

Esta brincadeira, utilizada pela Oficina da Memória, é um ótimo exercício para trabalhar a percepção do eixo corporal e, ao mesmo tempo, integrar os hemisférios cerebrais. Consiste em criar um código corporal para leitura das vogais do quadro. Por exemplo: letra a, levantar o braço esquerdo; letra e, levantar o braço direito; e letra i, levantar os dois braços simultaneamente. Agora, a dificuldade: você deve ler em voz alta as consoantes acima, ao mesmo tempo em que executa a postura corporal das vogais abaixo. Tente, e veja por você mesmo que não é tão fácil como parece.

 

Dislalia
Malhação Ocular
Índices edição 07

 
Michele Adun
Psicopedagoga
Tel.: 350-9715

Rosane Paiva
Fonoaudióloga
Tel.: 567-9083 ou 572-2326

Thereza Cristina dos Santos Lopes
Ortoptista e Fonoaudióloga
Tel.: 240-2929, 205-2205 e 273-2202