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Malhação Ocular

Quando falamos sobre dificuldades de aprendizagem, é comum relacionarmos algumas delas a deficiências de visão. De fato, crianças com astigmatismo, miopia e hipermetropia não conseguem acompanhar as aulas satisfatoriamente, pelo simples fato de não conseguirem enxergar direito o que está escrito no quadro ou nos próprios cadernos. Um bom oftalmologista é capaz de rapidamente identificar o problema e prover a solução.

No entanto, existem problemas também ligados à visão que são mais difíceis de detectar ou perceber. Thereza Cristina, fonoaudióloga e também ortoptista, exemplifica: “Dores de cabeça no final de uma aula, em 70% dos casos, são provenientes de deficiências do sistema muscular do olho, que é do que trata a ortóptica. E estas dores não vêm sozinhas, mas acompanhadas de outros sintomas, como cansaço, desinteresse pela leitura e troca de letras semelhantes, só para citar alguns exemplos”.

A ortóptica é um ramo da reabilitação ligado à Oftalmologia, e cuida especificamente do sistema muscular dos olhos, que nos permite movê-los e efetuar a convergência (foco) característica da visão binocular humana. Ela cuida também da correção dos eixos óticos, e necessita dos exames oftalmológicos (fundo de olho, pressão intraocular e outros) para seus diagnósticos:

“A falta de tonicidade dos músculos do olho faz com que as crianças, principalmente na idade da alfabetização, quando sua atenção e concentração são exigidas ao máximo, tenham enorme dificuldade para ler, embaralhando e ‘comendo’ palavras e linhas, confundindo e omitindo letras. Não se trata, nesses casos, de nenhum problema nos olhos em si, mas nos músculos que os movem.

O mero ato de passar do campo horizontal do quadro negro para o vertical de seu caderno é um esforço grande para a musculatura ocular, e o aluno se sente cansado, desinteressa-se e apresenta um quadro de cefaléia”- diz.
Outro sintoma comum é a confusão feita entre letras semelhantes. Thereza Cristina mostra o ‘quadrinho das letras trágicas’:“São letras visualmente semelhantes e espelhadas, e crianças com insuficiência de convergência ocular vão certamente confundi-las. Outras letras que ocasionam confusão, pelo mesmo motivo, são o m=n e o u=v=n. Por isto, 95% das crianças que fazem tratamento ortóptico fazem também terapia com fonoaudiólogo por alteração de leitura e escrita”, revela Thereza Cristina, acrescentando que é comum deslancharem na Fonoaudiologia quando desenvolvem o sistema muscular do olho.

Uma vez diagnosticado o problema, o tratamento consiste basicamente em dar tônus à musculatura. Para isto, o ortoptista utiliza vários instrumentos. Um deles é o queiroscópio, semelhante ao popular ‘espelho para cópias’. Através dele, o profissional pode trabalhar a musculatura de apenas um olho da criança, ‘enganando’ o cérebro. “Quando há uma divergência muito grande de focalização, o cérebro cria uma espécie de adaptação para que a pessoa possa enxergar. Ele ‘elimina’ a função de um dos olhos, e passa a ver apenas com o outro. Com este aparelho, eu consigo desenvolver especificamente a musculatura do olho ‘esquecido’”- diz Thereza. A Ortóptica usa ainda prismas de diferentes espessuras para auxiliar a convergência. “Meu consultório é uma espécie de sala de musculação dos olhos e eu ajo como uma fisioterapeuta ocular”, brinca Thereza, cuja maior preocupação é informar os professores e pais sobre o problema:

“Eu vou às escolas, faço seminários, converso com todos os que estão diretamente envolvidos com as crianças, porque é comum os alunos perderem completamente o interesse pela leitura e serem chamados de ‘dispersos’, ou ‘preguiçosos’. Mas de que maneira eles poderiam gostar de ler, interpretar um texto, se para eles é tão penoso?”

Recadinho para os Professores

- Em primeiro lugar, reparar se as dificuldades relacionadas à leitura dos alunos tidos como ‘lentos’ e ‘dispersos’ são acompanhadas de dores de cabeça, lacrimejamento ou cansaço dos olhos.

- Prestar atenção a sinais como omissão de letras e sílabas, e até palavras inteiras durante o ato de copiar, e notar se há troca de letras na escrita, principalmente das quatro letrinhas ‘trágicas’.

 

Dislalia
Dislexia
Índice edição 07

Michele Adun
Psicopedagoga
Tel.: 350-9715

Rosane Paiva
Fonoaudióloga
Tel.: 567-9083 ou 572-2326

Thereza Cristina dos Santos Lopes
Ortoptista e Fonoaudióloga
Tel.: 240-2929, 205-2205 e 273-2202