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Física Invade o Parque de Diversões

Gincana realizada em parque de diversões esclarece conteúdos da Física, de maneira lúdica e divertida.

esolver uma prova de Física em pleno parque de diversões é muito mais do que um jeito descontraído de fixar o aprendizado. É também é uma forma de fazer com que os alunos não vejam a disciplina como abstrata e incompreensível. Foi pensando nisto que o professor Roberto Affonso, que leciona para o 1º ano do 2º grau do Colégio de Aplicação UFRJ, desenvolveu a “1º Gincana Sir Isaac Newton de Física Lúdica em Referenciais Não-Inerciais”. Seu objetivo era melhorar a aprendizagem dos conteúdos estudados, como as aplicações das Leis de Newton e os referenciais não-inerciais.

“Num parque de diversões, cada brinquedo é ligado a algum conceito da Física. Assim, achei importante preparar esta atividade para que a matéria ficasse bastante esclarecida e para que os alunos percebessem como a Física está presente no nosso cotidiano. Eu fui ao parque para ver como eram os brinquedos e produzir as perguntas para a gincana” – explica Roberto. A idéia do trabalho era a de que os alunos se reunissem em grupos e resolvessem as questões elaboradas. A atividade foi um misto de teste e competição, já que fez parte da avaliação do bimestre, ao mesmo tempo em que incitou os alunos a quererem tirar a melhor nota para vencerem a gincana.

Ao todo, foram preparadas 40 perguntas, referentes aos 12 brinquedos que deveriam ser percorridos no parque. O tempo máximo para a realização de todas as tarefas foi de oito horas. Os alunos tiveram a liberdade de fazer perguntas ao professor e aos monitores, que estavam à disposição no parque. “A maioria das perguntas estava de acordo com a capacidade, o entendimento das turmas e as explicações que dei em sala de aula. Outras, fiz com um grau de dificuldade maior, com o intuito de estimular a discussão e o raciocínio lógico dos alunos” – revela Roberto.

As questões tinham por objetivo fazer com que os alunos observassem os sistemas de um parque de diversões, associando-os aos conteúdos estudados. Ao elaborar a gincana, o professor Roberto procurou motivá-los a andarem nos brinquedos e não fez simplesmente perguntas que eles pudessem responder estando fora dos brinquedos, apenas observando. “É importante que se trabalhe com as sensações” – diz ele. “Em alguns brinquedos, os alunos puderam perceber que as sensações fisiológicas que eles sentem, como o friozinho na barriga, por exemplo, estão relacionadas aos líquidos do corpo, que sofrem as forças inerciais. Este é o motivo principal de se realizar uma atividade destas num parque: propiciar esta associação” – acrescenta.


Roberto também deu ênfase à questão das medidas em Física. “Acho importante que os alunos saibam quantificar alguns conceitos da matéria. A Física se baseia muito nisto” – argumenta o professor. Assim, os alunos levaram ao parque um cronômetro e uma trena com nível de bolha, para que pudessem fazer medição de raios ou quantificar a aceleração centrípeta, por exemplo. “Pedi a eles que usassem o nível de bolha no carrinho bate-bate, para que observassem o que acontece com a bolha quando há uma desaceleração brusca e percebessem que o que ocorre, neste caso, não é diferente do que se passa com o estômago deles” – explica.


A primeira etapa do trabalho foi a apresentação dos vídeos produzidos pelo comitê americano de estudos de Ciências Físicas (PSSC), criado na década de 60 com o intuito de ensinar vários conteúdos da Física. Foram feitos vários debates em sala de aula acerca dos temas apresentados e, antes da ida ao parque, Roberto reservou uma aula para que os alunos tirassem suas dúvidas.

No que diz respeito ao conteúdo, o objetivo do trabalho foi o de permitir que os alunos aprimorassem o estudo que iniciaram sobre as Leis de Newton e os referenciais não-inerciais. Por outro lado, a meta principal era a de que conseguissem associar a Física a algo lúdico e divertido. “Hoje em dia, temos que ensinar os conteúdos de uma forma interessante, de modo a estimular o aluno a estudá-los. Na minha opinião, brincar e ter afinidade com o objeto de estudo é muito importante, pois vem a ser uma via de conhecimento com a qual os alunos se identificam” – explica Roberto.

Após a realização da gincana, o professor fez a correção dos trabalhos e, posteriormente, ministrou uma aula em que discutiu cada questão da prova e tirou as dúvidas que ainda restavam. “Esse trabalho foi importante para saber em que pontos da matéria os alunos encontravam maior dificuldade e, também, se eles conseguiam realmente construir uma idéia do que fosse aplicar as Lei de Newton em referenciais não-inerciais. Com esta atividade, também pude avaliar em que ponto as explicações deixaram a desejar e, assim, trabalhar melhor alguns conteúdos. Foi uma experiência válida e os alunos conseguiram atingir minhas expectativas” – finaliza Roberto.

Algumas das perguntas elaboradas para o programa da "1ª Gincana Sir Isaac Newton de Física Lúdica em Referências Não-Inerciais"

Índice edição 09

 
Colégio de Aplicação - UFRJ
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