Projeto resgata a história e a identidade cultural do município

 


"Aí gente. Oh, yes, nós temos uma história... Acorda, cidade-dormitório, nós temos uma história a contar, a cultura de nosso município passa pelo Pandiá”. Com este refrão, alunos e professores do Colégio Estadual Pandiá Calógeras interromperam o cotidiano frenético da Rua da Feira, no bairro de Alcântara. Durante 40 minutos, lojistas, camelôs e transeuntes pararam para assistir ao desfile da “Escola de Samba” dos alunos da instituição, cujo objetivo era valorizar a multiculturalidade do município são-gonçalense.

Segundo Maria Cecília Chagas Ferreira, professora de práticas pedagógicas e coordenadora do projeto, o tema A multiculturalidade de São Gonçalo passa pelo Pandiá resgata a história do município e destaca os nomes de pessoas ilustres e conhecidas da mídia que nasceram na cidade, como os palhaços Carequinha, falecido em abril deste ano, e Pic-Caramelo, além da cantora Cláudia Leite, do grupo Babado Novo.

Na avenida, nove alas compostas por estudantes do Ensino Médio (formação geral e normal), professores e mães dos alunos do Colégio de Aplicação (Classe de Alfabetização) cantaram e contagiaram os presentes com o samba Oh, yes, nós temos história, mostrando a trajetória do Brasil e de São Gonçalo. A proposta do projeto foi trabalhar as diferenças e as diversidades numa dinâmica de respeito e valorização ao ser humano.

“Foi aí que tive a idéia de fazer um trabalho projetando um desfile, que envolvesse os alunos em todas as etapas de organização de um grande evento. Numa outra fase, pesquisariam, em diversas fontes, a história, a cultura e a obra de São Gonçalo, vivenciando a multiplicidade de conteúdos", relata a professora Maria Cecília Chagas Ferreira.

Projeto no papel, o próximo passo foi a busca de parceiros para dar formato ao evento. Alguns professores se engajaram de imediato; outros, ao longo do processo. À frente da coordenação, estiveram, dentre outros educadores, a professora Mônica Barreto, de Espanhol e Artes, e o professor André Luiz Souza e Silva, de Sociologia e História da Educação.

Regidos pelo professor André Luiz, os alunos realizaram um levantamento, a partir de sua própria base, sobre a história local e sua cultura. Em seguida, foi elaborado um questionário para ser respondido pela comunidade local.

“Eles começaram a se ver nestas pesquisas e isso foi muito interessante. Através de discussões, eu os estimulei a falar sobre memória e educação, a relação de identidade e espaço. Desta forma, puderam se ver dentro deste processo. Uma das alunas, por exemplo, comentou que a fala de uma entrevistada a emocionou, fazendo-a lembrar de fatos que há muito esquecera. Este trabalho mexeu com todos, porque eles não se viam ou, então, se viam como qualquer coisa. Mas, com o resgate dessa memória popular, elas passaram a se reconhecer e gostaram disso”, disse André Luiz.

De acordo com o professor, o trabalho apresentou facetas inusitadas e descortinou uma São Gonçalo que o próprio local não conhecia. “Trabalhos como esses servem como um canal de mediação, é um esforço coletivo, em que o aluno aprende a ouvir, trocar, aceitar e defender seus pontos de vista”.
destacam no imageamento cerebral.

 

Escola de Samba Pandiá Calógeras

Alas

“O Despertar” – Comissão de frente composta por oito alunos, vestidos e maquiados de branco, simbolizando o acordar da cidade de São Gonçalo.

“Carro Abre-Alas” – Composto pela direção do colégio e alunos, vestidos com o primeiro uniforme da escola. Fazia referência à primeira corrida automobilística no Estado do Rio de Janeiro, realizada em 1909, em território são-gonçalense.

Bateria com Mestre-sala e Porta-bandeira – Casal de alunos vestidos a caráter. Joaquim Silvino Ribeiro Junior, do 3.º ano Normal, vestia uniforme oficial da banda; e sua dama, fantasia estilizada feita em TNT.

Alas da Multiculturalidade – A idéia era mostrar a raiz da cultura brasileira até os dias atuais.

Ala dos “Índios Tamoios” – A diversidade identitária indígena foi representada por alunos com indumentárias diferentes, simbolizando diversas nações.

Ala dos “Portugueses” – Um Pedro Álvares Cabral acompanhava sua companheira vestida com traje típico de camponesa portuguesa. Detalhe: a roupa de Cabral foi alugada especialmente para a ocasião.

Ala dos “Negros” – A multiculturalidade deu o tom desta ala, representando a heterogeneidade arquetípica dos negros que vieram para o Brasil. Meninas negras, mulatas, morenas, cabelos trançados, alourados, crespos. Professoras, nordestinos, lavadeiras, pedreiros, babás. Elaine Aparecida, aluna do 4.º ano Normal, se apresentou vestida à moda africana – com cangas, colares e pulseiras.

Ala da “Cultura” – São Gonçalo, verdadeira fábrica de talentos: os palhaços Carequinha e Pic-Caramelo, a cantora Cláudia Leite, grupos de Folias de Reis, entre outros. A ala foi puxada pelas professoras Maria Cecília, que personificou a cultura, com sua enorme cartola vermelha (paixão pelo que faz) e suas roupas azuis (o céu brasileiro, a cultura), e Mônica, vestida de Carmem Miranda – a “Pequena Notável”.

Ala “Novo Tempo” – Nascida em Neves, São Gonçalo cresceu se espraiando em direção a Maricá. Sesc, Sesi, Senai, Petrobrás, Uerj, Universo, todas estas instituições figuraram nos chapéus-maquetes multicoloridos representando o entorno da vida dos moradores são-gonçalenses.



Colégio Estadual Pandiá Calógeras
Endereço: Rua João Cesarino, s/n.º – Alcântara – São Gonçalo/RJ.
CEP.: 24710-380
Tel.: (21) 2603-7177 e 2602-5622
Direção: Elaine Arruda
Fotos: Marcelo Ávila

Por Sandra Martins
Ala da Cultura – o encantamento do ‘palhaço’ no imaginário das crianças da CA
Ala dos Negros – a representação da multiculturalidade do povo brasileiro